CTGEC do CBH-Doce apresenta Sistema de Alerta Hidrológico


20 mar/2017

Monitoramento no Estado do Espírito Santo também foi tema do encontro

Membros da Câmara Técnica de Gestão de Eventos Críticos (CTGEC) se reuniram no dia 14 de março, no auditório da prefeitura de Governador Valadares, para discutir pontos relacionados ao monitoramento hidrológico na bacia do Rio Doce e as ações previstas no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) elaborado com o intuito de mitigar impactos ambientais resultantes do rompimento da barragem de Fundão. No mesmo dia, Lucinha Teixeira e Ricardo Pretti foram reeleitos, respectivamente, presidente e relator da CTGEC.

A CPRM foi convidada para apresentar a atual situação do sistema de alerta hidrológico dos 11 mananciais afluentes da bacia do Rio Doce.  Em operação desde 1996, o monitoramento permite a identificação das ocorrências críticas na bacia. Artur Matos, engenheiro hidrológico e pesquisador da área de Geociências, explicou que a CPRM tem a missão de gerar e disseminar o conhecimento geológico e hidrológico básico necessário para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Para melhorar esse monitoramento, foram instalados em torno da bacia diversos pluviômetros automáticos e estações linimétricas que realizam aferições/leituras às sete da manhã e às cinco da tarde, além de estações telemétricas equipadas com GPS e estações GOES, que realizam o procedimento via satélite.  “Além da estiagem, fazemos o monitoramento das cheias, com um acompanhamento histórico da razão da precipitação (período chuvoso) nos anos hidrológicos, com suas respectivas médias históricas”, explicou Artur.

Programa de Monitoramento Quali-quantitativo

Coube à coordenadora de prevenção e gestão de riscos ambientais do Ibama, Cristiane de Oliveira, apresentar as propostas previstas no Programa de Monitoramento Quali-quantitativo (PMQQS) da Água e dos Sedimentos na Bacia do Rio Doce. “Esse é um programa que estabelece os conteúdos mínimos a serem utilizados como referência para o acompanhamento da recuperação do Rio Doce, através da avaliação sistemática da qualidade e quantidade das águas e dos sedimentos, por meio de uma rede de estações. Outro de seus objetivos é o de propor procedimentos mínimos a serem adotados pela Fundação Renova para monitoramento da qualidade da água, em função das intervenções previstas no Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC)”, detalhou Cristiane.

Ela disse ainda que pontos estratégicos serão identificados para acompanhamento da evolução, juntamente com o monitoramento da qualidade das águas em locais onde o recurso natural é de fundamental importância para uso humano.

O conselheiro do CBH-Doce, vice-presidente do CBH-Barra Seca e membro da CTGEC, Carlos Sangalia questionou as formas de monitoramento marinho na foz do Rio Doce. “Essas metodologias diferentes podem resultar em conflitos”, advertiu. Ele sugeriu também que os resultados das análises sejam remetidos à CT para que, posteriormente, se tornem conhecidos por todos os Comitês de Bacia.

Monitoramento no ES

Ainda durante o encontro, a Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH) apresentou a estruturação da rede de monitoramento hidrológico no Espírito Santo. “Em 2011, foi feito um planejamento, inserido no Plano Plurianual (PPA 2012/15), de uma rede de 50 estações de monitoramento pluviométricas/fluviométricas automáticas. Naquele e no ano seguinte, foram adquiridas 20 estações hidrológicas, sendo três delas reservadas para substituição de peças danificadas”, explicou Luiz Henrique Muniz de Aquino, da AGERH, destacando que esse foi apenas o começo do processo, colocado em prática antes que a agência fosse reestruturada pelo Estado. Superadas as dificuldades, foi possível instalar sete pontos de monitoramento na fase 1 e outros sete na fase 2. “Além disso, três estações ainda serão instaladas, com término previsto em 2017”, comentou Aquino.

Recuperação de nascentes

Membros da CTGEC também debateram os critérios utilizados para a escolha das 4.500 áreas de nascentes restantes, a serem recuperadas – conforme previsto no TTAC assinado entre a Samarco e suas acionistas (Vale e BHP) – na Bacia do Rio Doce, sendo que as 500 primeiras recuperadas também foram indicadas pelo comitê.   A equipe de engenheiros do IBIO elaborou um parecer técnico que apontou as áreas a serem contempladas pelo Programa de Recuperação de Nascentes, entre as cinco mil nascentes listadas no TTAC. No documento foram consideradas as áreas de vulnerabilidade das Unidades de Gestão de Recursos Hídricos (UGRHs); a otimização da logística e operacionalização das ações para implementação do programa; o efeito da mobilização de líderes locais e proprietários rurais; e o conjunto de ações a serem realizadas para implantação das iniciativas de recuperação de nascentes. A proposta aprovada pelo colegiado sugeriu que a implantação das ações fosse iniciada a partir das UGRHs com maior vulnerabilidade para as de menor vulnerabilidade, conforme análise do Programa de Disponibilidade de Água (PDA-Doce). Após ressalvas e adequações, o documento foi aprovado pelos membros da CT e, agora, será avaliado em plenária do CBH-Doce e, se referendado, entregue à Fundação Renova.


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